Paiol é aquele depósito que fica perto da casa, no sítio ou na fazenda, onde se guarda o que foi colhido: o milho, o feijão, as ferramentas, as coisas que ainda vão ter serventia. Não é vitrine. É onde fica o que foi feito com trabalho e o que ainda vai ser usado.
Sou do interior, e quando precisei de um nome para o lugar onde guardo meus projetos pessoais, não quis nada com cara de “lab” ou “studio”. Quis uma palavra que dissesse de onde eu venho e como gosto de trabalhar: sem pressa, sem firula, construindo coisa que serve.
Os nomes dos projetos seguem a mesma lógica. Cada um é um objeto que qualquer pessoa do interior reconhece e que explica, do seu jeito, o que o projeto faz:
- Caderneta, como a do armazém, onde se anotava cada conta. Aqui, as finanças da casa.
- Embornal, a bolsa de pano onde se leva o necessário. Aqui, a saúde da família, pronta para a consulta.
- Lamparina, a luz para estudar depois da lida. Aqui, cursos para aprender no próprio tempo.
- Alambique, onde a matéria-prima vira essência. Aqui, o conhecimento destilado em novos conteúdos.
- Prumo, o fio com peso que mostra se a parede está reta. Aqui, o quanto se está longe do ideal.
- Rastro, a marca que fica no chão e mostra por onde alguém passou. Aqui, links curtos que revelam de onde veio cada visita.
Nem tudo aqui está pronto. Paiol tem de tudo: o que já está em uso, o que ainda está sendo construído e o que ficou no canto esperando a vez. É assim mesmo.